04/08/2016 às 20h07min - Atualizada em 04/08/2016 às 20h07min

Desde o encontro da imagem do Bom Jesus de Iguape, até hoje traz peregrino de todos os estados brasileiro

Em 1918, o pintor Trajano Vaz retratou o encontro da imagem do Senhor Bom Jesus de Iguape, na praia do Una, em 1647.

Romaria e missa campal, celebrada anualmente, no dia 27 de julho, no local do encontro da imagem.

Em 1647, no auge da riqueza proporcionada pelo ouro, Iguape transformou-se em um centro de peregrinação. Na descrição do aparecimento da santa imagem, mandada escrever no Livro do Tombo em 1730[8], pelo Reverendo Padre Christóvão da Costa e Oliveira, o qual a transcreveu de documentos ainda mais antigos, e era tradição que a imagem do Senhor Bom Jesus vinha do Reino de Portugal, embarcada para Pernambuco, e ao encontrar com inimigos infiéis, com receio de ter seus objetos religiosos profanados, os portugueses a lançaram no mar, juntamente com o que se achou junto dela, cera e azeite doce. Alguns meses depois, Francisco de Mesquita, morador da praia da Jureia, mandou dois índios boçais e sem conhecimento da , para a Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém. Estes, ao passarem pela praia do Una, acharam junto ao rio Passauna, um vulto desconhecido rolando nas ondas, e levaram-no para a praia, onde cavaram um buraco e o colocaram em pé com o rosto para o nascente e assim deixaram com um caixão, cera do reino e umas botijas de azeite doce, os quais se encontravam afastados do local. Ao retornar, os índios acharam o dito vulto desconhecido, no mesmo lugar, mas com o rosto virado para o poente, e acharam estranho não haver vestígio sequer de que alguém o tivesse movido. Logo que chegaram ao sítio de seu administrador, contaram o fato e a notícia se espalhou, e assim que se soube pelos vizinhos, resolveram que Jorge Serrano e sua mulher Anna de Góes, seu filho Jorge Serrano e sua cunhada Cecília de Góes, ia ver o que foi contado pelos índios, e acharam a santa imagem e a colocaram em uma rede e a trouxeram alternadamente entre eles, até o sopé do morro da Juréia, local conhecido como rio Verde, onde foram alcançados por moradores vindos da Vila Nossa Senhora da Conceição de Itanhaém, que souberam da notícia, e os ajudaram no transporte até o alto do morro, onde estes prosseguiram até a barra do rio, no bairro Barra do Ribeira, onde os moradores da então vila de Iguape foram buscar a imagem. Esta foi então levada para um riacho, no sopé do Morro do Espia, onde sobre as pedras, foi banhada para lhe retirar o sal marinho e ser encarnada novamente. Após ser decorada, foi entronizada no altar-mor da antiga Igreja de Nossa Senhora das Neves em um sábado no dia 2 de novembro de 1647[8]. No mesmo tempo em que foi achada a imagem na praia, foram vistas pelo Padre Manoel Gomes, Vigário da Ilha de São Sebastião, cruzar o mar de Norte a Sul, seis luzes iluminando uma grande circunferência, segundo disse o Vigário ao Reverendo Padre Antonio da Cruz, religioso da Companhia de jesus, e que seja transmitida a todos, e estes louvem ao Senhor como convém, segundo a profecia: Orietur vobis Sol justitiae, et sanitas in pennis ejus (Para vós nascerá o Sol da justiça, e estará a salvação sob as suas asas - Ml 4,2). Este riacho ficou conhecido como Fonte do Senhor e segundo a lenda, a pedra sobre a qual a imagem foi banhada cresce continuamente, dando origem ao Senhor Bom Jesus de Iguape, que viria a ser (e ainda é) a segunda maior festividade religiosa do Estado de São Paulo, perdendo apenas para a festa de Nossa Senhora Aparecida.

 Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves Construção da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Neves, iniciada em 1780.

Na década de 1780 foi dado início à construção da nova Igreja Matriz, haja vista a outra estar em precárias condições. A planta foi encomendada no Rio de Janeiro, custando mil réis, cuja obra executada pelo mestre canteiro Euzébio da Cunha Paiva, só foi concluída 80 anos depois. Em estilo colonial, feita de argamassa, óleo de baleia e pedras retiradas da face marítima do morro, as quais eram transportadas em canoas e depositadas próximo a obra, as pedras maiores que não cabiam nas canoas eram carregadas em carroças, todo o trabalho era executado pela população, voluntário e gratuitamente, sendo apenas dado a cada trabalhador a quantia de 80 réis para gastos com alimentação, cada bairro fornecia semanalmente vinte trabalhadores. Nos domingos e dias santos, depois da Missa Conventual, dirigiam-se a orla, a alta sociedade iguapense, e toda a população, era o Reverendo Vigário, o primeiro a carregar uma pedra e ir depositá-la no lugar da obra, exemplo que todos seguiam, trabalho que demorava por volta de duas horas. Os alicerces com vinte palmos de profundidade, por doze palmos de largura, também foram trabalhados pelo povo. Em 1798, as obras estavam avançando lentamente, e em 1800, estas pararam, retornando em datas esporádicas. Entre os anos de 1816 e 1821 foi mandado construir em Santos, grande quantidade de cantaria, as quais vieram numeradas a fim de serem colocadas em locais específicos. Em 1822 foram contratados no Rio de Janeiro, um mestre e três canteiros, e em agosto do mesmo ano, recomeçou-se a obra, ajudada pelo povo. O Reverendo Vigário, auxiliado pelos Sargentos-mores Bento Pupo de Gouveia e Bartolomeu da Costa Almeida e Cruz, fizeram uma subscrição onde o dito Bartolomeu da Costa contribuiria com um conto de réis, em dez prestações de cem mil réis anualmente e o Capitão-mor José Antônio Peniche, a telha necessária para cobrir a igreja, porém, devido seu falecimento sua esposa e filhos, contribuíram com um conto e duzentos mil réis em dinheiro.

Atual Basílica do Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves.

A irmandade do Senhor Bom Jesus, também entrou com o capital que havia em caixa, na importância de noventa e quatro mil e duzentos réis, e por fim a obra foi auxiliada pelo governo, através da lei n° 13 de 17 de julho de 1852, foi concedida a metade da receita proveniente da contribuição do canal do Valo Grande, que era de vinte réis por alqueire de arroz exportado para fora do município de Iguape. Desta forma, a igreja foi concluída, em estado de receber a bênção no dia 27 de julho de 1856, e no dia 8 de agosto do mesmo ano, foram trasladas as imagens da antiga igreja para a nova Igreja Matriz. Até esta data, a matriz de Iguape estava sob invocação de Nossa Senhora das Neves, mas por respeito a essa nova matriz, através da lei n° 11 de 3 de março de 1858 declarado que a Igreja Matriz desta paróquia ficasse sob a invocação do Senhor Bom Jesus de Iguape. No ano de 1956, elevada à categoria de Basílica. Nela está a imagem do Bom Jesus de Iguape e Nossa Senhora das Neves, padroeiros de Iguape, que atrai milhares de romeiros todos os anos, entre os dias 28 de julho e 6 de agosto.

 

Fonte TV.praia

 


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