10/02/2020 às 09h41min - Atualizada em 10/02/2020 às 09h41min

Pescador encontra suposto vômito de baleia raro em praia de Ilha Comprida

Substância rara e valiosa é utilizada na indústria de perfumes. Material será avaliado por especialistas.

Por G1 Santos
Pescador encontrou o suposto âmbar cinza em praia do litoral de São Paulo — Foto: Divulgação/ Clayton Pereira Dias
Um pescador de Ilha Comprida, no litoral de São Paulo, encontrou um suposto vômito de baleia em uma praia da cidade. O rapaz de 28 anos informou, neste domingo (8), que acredita que a substância seja o âmbar cinza, utilizado na indústria de perfumes.
 
De acordo com Clayton Pereira Dias, o material foi encontrado na praia de Juruvaúva, enquanto voltava da casa de sua namorada, na manhã da última quarta-feira (5). Ele conta que o único acesso para a sua residência, no mesmo bairro onde o suposto âmbar foi localizado, é pela faixa de areia. O jovem encontrou o material enquanto andava de carro pela orla.
 
Segundo Clayton, o objeto lhe pareceu familiar, já que uma vez um amigo havia lhe enviado a foto de um âmbar. “Quando a maré sobe, traz um monte de coisa para a praia. Estava passando de carro, quando vi algo na areia. Resolvi parar o carro”.
 
“Na época, ele brincou que um desse eu não acharia na beira da praia. Eu fiquei com isso na cabeça e pensei: ‘quem sabe um dia eu não acho, né?’. Jamais pensei que aconteceria, porque vi que é muito raro”, comenta.
Diante do suposto vômito de baleia, Cleyton não pensou duas vezes e resolveu levá-lo embora. Já em casa, pesquisou pelo material na internet para ter certeza, mas mesmo assim, ainda não sabe o item é realmente o âmbar. Na tentativa de descobrir, ele queimou um pedaço do objeto e notou que, em contato com o fogo, a substância derrete e vira óleo, característica do âmbar.
“Está guardado em casa. Não tenho certeza se é, mas pelo que pesquisei, acredito que é sim. Quero que algum especialista comprove”, explica o pescador. Questionado sobre o que faria caso o objeto seja mesmo o âmbar, em meio a risos, ele afirmou que compraria um barco novo para tentar achar mais.
 
O vômito de baleia
De acordo com o biólogo marinho Eric Comin, o objeto encontrado apresenta as características do âmbar cinza, no entanto, a confirmação só é possível após análise laboratorial. "Ele tem realmente uma coloração mais cinza, fosca, igual ao da foto, podendo até variar um pouco no aspecto mais voltado para o mármore, um castanho mais escuro".
 
"Fresco, ele não tem um cheiro muito bom, mas quando fica exposto ao ar e a luz, vai ganhar um cheiro mais peculiar, mais doce. Podendo ser semelhante ao álcool isopropílico", afirma.
 
Segundo o biólogo, no Brasil, não há relatos de encontro desse âmbar. Ele explica que a substância é gordurosa e é formada por uma secreção biliar, dentro do intestino de algumas espécies de baleia, como a cachalote e nariz de garrafa, que não é comum na região. Esse material protege o trato intestinal e digestório do animal, quando come algo mais duro e cortante.
 
"Ele tem um valor no mercado como fixador de perfumes e é aí que ele acaba tendo um valor mais elevado. Hoje em dia, não é tão usado, porque o pessoal faz isso em laboratório, sintético. Não sabemos estimar o valor de um âmbar cinza no mercado. Claro, devido a ser um objeto raro, é uma questão de sorte de quem encontrar", finaliza.

Suposto âmbar cinza foi levado para a casa do pescador, em Ilha Comprida (SP) — Foto: Divulgação/Clayton Pereira Dias

 
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